Passado certo tempo de relacionamento, agora começo a ser “aterrozida” com aquela pergunta clássica... “E o bebê, quando chega”?
- Como é?! Mas eu nem sabia que ele estava a caminho. Ninguém me avisou nada.
Ou então, basta uma colega de trabalho engravidar e lá vem a clássica... “Você será a próxima, viu”? Alguns, mais cruéis, ou inconformados, dizem... “Ainda vou ver você com trigêmeos”. Imaginem então a minha atual situação, convivendo com três gestantes na mesma empresa.
Alguém precisa dizer pra essa gente (eu já cansei de tentar) que namoro+casamento nem sempre é (imediatamente) igual a filhos+fraldas+choramingos+noites em claro.
Nada contra. Absolutamente! Acho a gestação uma coisa mágica, lindíssima. E que os filhos são divisores de água em nossas vidas. Que além das fraldas e choramingos têm as gargalhadas, as descobertas e a vivência do amor. Também sei que tudo tem um prazo de validade, inclusive os hormônios.
Mas, sinto que, às vezes, estamos tão bitolados no padrão “ensinado”, que não pensamos naquilo que verdadeiramente nos motiva.
Vejo meninas de 20 anos, solteiras e desesperadas, achando que vão ficar para titia. Resultado: Casam-se com o primeiro sapo, quer dizer, príncipe encantado que aparece pela frente.
E embora conheça mães admiráveis, que me inspiram, também ouvi mulheres aspirando à maternidade, pois assim “nunca mais ficariam sozinhas”. Santo Deus, quanto egoísmo! Resultado: Mães possessivas que transformam seus filhos em bichinhos de estimação ou em moeda de troca no relacionamento. É cruel, mas é verdade.
Vitor, um pequeno notável de 11 anos, na sua grande sabedoria, disse à avó:
“O homem e a mulher deviam fazer uma prova para saber se podem ser pai e mãe. E se não passassem na prova, eles não poderiam ter filhos”.
É isso aí Vitor, você disse tudo. Afinal, há muita gente maluca no mundo. Muita gente despreparada, carente, infeliz e cheia de “marcas”. Homens e mulheres ignorantes sobre si mesmo. Pessoas que precisam de um pai e não de um filho.
Esse negócio que, quando chega a hora, desenvolvemos o instinto necessário para educar os filhos... é balela. Ou melhor, até tem um fundo de verdade. Desenvolvemos instintos. Instintos que nos ajudarão a cuidar dos filhotes e ensiná-los a sobreviver no mundo, sozinhos. Mas e o resto, como fica?
Quem vai ensinar a eles que às vezes precisamos adiar certos prazeres? Ensiná-los que quando evitamos encarar a dor, adiamos o nosso crescimento. Que disciplina doméstica e autodisciplina são coisas completamente diferentes, e que sem essa última não podemos resolver coisa alguma na vida.
Quem vai dizer aos pequenos que para serem amados não precisam ser “bonzinhos” e falar sempre coisas agradáveis? Que eles podem e devem expressar seus sentimentos e idéias, mesmo sendo contrárias as suas. Mas, que precisam assumir a responsabilidade pelo que são ao invés de transferi-la para o vizinho.
Alguém precisa dizer a eles que a honestidade não é indolor, mas, que mentir para nós mesmos é ainda mais doloroso.
Jean Piaget, um grande educador, estudioso do desenvolvimento cognitivo, dizia que a educação de uma criança começa 20 anos antes dela nascer, com a educação dos seus pais. Concordo! Pais despreparados (emocionalmente) geram filhos neuróticos ou com desordem de caráter, porque, sem perceber, descarregam sua carência, seus medos, sua solidão e seu vazio nas pobres crias.
E depois o mundo fica se perguntando o que está acontecendo com a nossa sociedade.
O que acontece vai mais ou menos por aí. Pais transferindo para os filhos suas feridas inconscientes, abertas por gerações.
De quem é a culpa? De quem, hoje, consegue perceber essa “falha” e nada faz a respeito.
Então gente, na conta de Piaget, eu ainda estou passando pelos 15 anos. Tenham paciência porque meu objetivo é dar filhos melhores ao mundo.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Verdades que não nos contaram...
Já conheci muitas versões para o significado da palavra amor. Algumas românticas, outras pessimistas. Por vezes, cercada de ilusões cor-de-rosa ou nebulosamente desesperançadas. Esse é mesmo um sentimento que nos leva a extremos.
Confesso que eu mesma já ensaiei muitas teorias sobre relacionamentos. Mas, agora, percebi que eram todas superficiais. Nada como o casamento para fazer você mudar conceitos e mostrar que tuuuudo aquilo que você acreditava e se orgulhava em saber... Na verdade, não sabia. Sua sapiência não valia muita coisa.
Nessa semana comemoramos nosso primeiro ano de casamento, tempo suficiente para descobrir verdades que ninguém nunca havia dito sobre amor e relacionamento.
Sim! Falaram algumas coisinhas, mas ninguém foi a fundo e rasgou o verbo. Ninguém havia dito que para viver a dois (viver mesmo, não apenas passar os fins de semana) era o mesmo que fazer um intensivo para monge budista.
Verdade seja dita... Os pais e amigos nos dizem apenas do básico. Alguns inimigos podem até tentar nos alertar, num gesto de solidariedade, mas, vindo deles, logo interpretamos o conselho como praga.
Vejamos... Nos falam sobre a paciência para lidar com as diferentes maneiras que homens e mulheres “tratam” a toalha após o banho; ou para a antagônica forma de compreender a utilidade da tampa do vaso sanitário. Lendas que ouvimos desde pequeninos.
Alertam para aquelas bobagens de (des) organização, de chinelos pela casa, de meias largadas no escritório e outras pequenas coisinhas. Mas, há dezenas de detalhes que acabamos por descobrir na marra.
Por exemplo, ninguém tem a coragem de falar que você terá que abrir mão do seu egoísmo, aquele que você cultivou por tanto tempo e que hoje mais parece uma trepadeira a sugar toda sua educação e companheirismo. Ahhh... Ninguém fala que vamos ter de matar nossa “plantinha”. Tão desumanos.
Ninguém diz que você vai ter de reavaliar os conceitos de orgulho e amor próprio, ou diz? Dizem que você vai ter de aprender a ceder? Nana nina não. Não dizem mesmo.
Nossas mães nos orientam sobre as habilidades e os talentos que devemos ter enquanto mulher, profissional, dona de casa e mãe. Mas elas comentam que, além disso, devemos ter o dom da psicologia canina? Não.
E os pais? Aconselham os filhos sobre o papel provedor e protetor que devem desempenhar na família. Agora, por um acaso, dizem a eles que não se casam com uma, e sim com duas mulheres? Uma na fase da progesterona e outra do estrogêneo? Mulheres que num minuto são meigas e no minuto seguinte se transformam em filhotes de diabo da tasmânia. Isso ninguém diz aos pobres coitados.
E o pior... Ninguém nos fala que com o casamento você perde o título de “Dono da Verdade”. Anos de vaidade e pretensão jogados fora. Tanto tempo cultivando a arrogância e para no final das contas descobrir que existe outro dono ou dona desse posto. Séculos de enganação.
Acho que, na verdade, ninguém tem a coragem de admitir que “milhões de pessoas desperdiçam um bocado de energia tentando desesperada e inutilmente ajustar a realidade de suas vidas à realidade do mito (o mito do amor romântico)”.
Poxa, não seria mais fácil dizer que há dias em que você irá odiar o ser amado e outros onde irá contemplá-lo, como se fosse a uma das maravilhas do mundo? Dias em que ele (ou ela) não estará tão belo ou romântico e outros em que dirá a você mesmo: “Nossa, sou uma mulher de sorte”.
Deveriam nos dizer que a discordância é saudável e que vocês podem ser felizes juntos, sem serem dependentes do amor do outro. Eles poderiam ser mais objetivos e dizer que o casamento é uma excelente oportunidade para descobrir mais sobre você mesmo.
Bem, talvez não adiantasse muita coisa. Talvez não conseguíssemos compreender a complexidade desse sentimento, sem vivenciá-lo. Talvez não fosse possível entender que mesmo com tantas “ilusões” partidas, tudo isso vale a pena.
Confesso que eu mesma já ensaiei muitas teorias sobre relacionamentos. Mas, agora, percebi que eram todas superficiais. Nada como o casamento para fazer você mudar conceitos e mostrar que tuuuudo aquilo que você acreditava e se orgulhava em saber... Na verdade, não sabia. Sua sapiência não valia muita coisa.
Nessa semana comemoramos nosso primeiro ano de casamento, tempo suficiente para descobrir verdades que ninguém nunca havia dito sobre amor e relacionamento.
Sim! Falaram algumas coisinhas, mas ninguém foi a fundo e rasgou o verbo. Ninguém havia dito que para viver a dois (viver mesmo, não apenas passar os fins de semana) era o mesmo que fazer um intensivo para monge budista.
Verdade seja dita... Os pais e amigos nos dizem apenas do básico. Alguns inimigos podem até tentar nos alertar, num gesto de solidariedade, mas, vindo deles, logo interpretamos o conselho como praga.
Vejamos... Nos falam sobre a paciência para lidar com as diferentes maneiras que homens e mulheres “tratam” a toalha após o banho; ou para a antagônica forma de compreender a utilidade da tampa do vaso sanitário. Lendas que ouvimos desde pequeninos.
Alertam para aquelas bobagens de (des) organização, de chinelos pela casa, de meias largadas no escritório e outras pequenas coisinhas. Mas, há dezenas de detalhes que acabamos por descobrir na marra.
Por exemplo, ninguém tem a coragem de falar que você terá que abrir mão do seu egoísmo, aquele que você cultivou por tanto tempo e que hoje mais parece uma trepadeira a sugar toda sua educação e companheirismo. Ahhh... Ninguém fala que vamos ter de matar nossa “plantinha”. Tão desumanos.
Ninguém diz que você vai ter de reavaliar os conceitos de orgulho e amor próprio, ou diz? Dizem que você vai ter de aprender a ceder? Nana nina não. Não dizem mesmo.
Nossas mães nos orientam sobre as habilidades e os talentos que devemos ter enquanto mulher, profissional, dona de casa e mãe. Mas elas comentam que, além disso, devemos ter o dom da psicologia canina? Não.
E os pais? Aconselham os filhos sobre o papel provedor e protetor que devem desempenhar na família. Agora, por um acaso, dizem a eles que não se casam com uma, e sim com duas mulheres? Uma na fase da progesterona e outra do estrogêneo? Mulheres que num minuto são meigas e no minuto seguinte se transformam em filhotes de diabo da tasmânia. Isso ninguém diz aos pobres coitados.
E o pior... Ninguém nos fala que com o casamento você perde o título de “Dono da Verdade”. Anos de vaidade e pretensão jogados fora. Tanto tempo cultivando a arrogância e para no final das contas descobrir que existe outro dono ou dona desse posto. Séculos de enganação.
Acho que, na verdade, ninguém tem a coragem de admitir que “milhões de pessoas desperdiçam um bocado de energia tentando desesperada e inutilmente ajustar a realidade de suas vidas à realidade do mito (o mito do amor romântico)”.
Poxa, não seria mais fácil dizer que há dias em que você irá odiar o ser amado e outros onde irá contemplá-lo, como se fosse a uma das maravilhas do mundo? Dias em que ele (ou ela) não estará tão belo ou romântico e outros em que dirá a você mesmo: “Nossa, sou uma mulher de sorte”.
Deveriam nos dizer que a discordância é saudável e que vocês podem ser felizes juntos, sem serem dependentes do amor do outro. Eles poderiam ser mais objetivos e dizer que o casamento é uma excelente oportunidade para descobrir mais sobre você mesmo.
Bem, talvez não adiantasse muita coisa. Talvez não conseguíssemos compreender a complexidade desse sentimento, sem vivenciá-lo. Talvez não fosse possível entender que mesmo com tantas “ilusões” partidas, tudo isso vale a pena.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
O inevitável
Algumas coisas que lemos, vemos ou vivenciamos nos incitam o pensamento de maneira inevitável e nada corriqueira. Uma frase lida na noite passada causou esse efeito em mim. O autor do livro dizia que nem todas as pessoas conseguem “tolerar a dor de uma consciência mais plena”.
Parei por alguns segundos para refletir sobre aquilo e logo minha mente, aflita por racionalizar as coisas, ponderou: Então se essa plenitude é dolorosa, por que buscá-la? A que fim leva esse caminho? Até onde devemos sofrer e evoluir? Não dá pra simplesmente ficar aqui, quietinhos no nosso cantinho, sem grandes pretensões?
E como quem estava de posse do efeito que suas palavras causariam nos leitores, linhas abaixo, o autor, um psiquiatra norte-americano, arrematava: “Se você faz essa pergunta talvez não saiba o bastante sobre a alegria”.
Então fiquei pensando sobre alegria e plenitude. O que significa cada uma dessas coisas?
Acho que não temos como qualificar. Afinal, cada vida traz uma experiência e agrega a si valores que são intransferíveis.
De certa forma, me identifico com as palavras do tal psiquiatra, quando pensamos que a plenitude está em nós mesmos, na consciência de quem somos e de nossas ações. Notem que não me referi a domínio, mas a consciência, sem máscaras e subterfúgios. Afinal, ter conhecimento sobre nossas ações e reações é fundamental para vivermos sem sermos engolidos.
Mas por que isso que parece tão simples causaria dor? Por que evitamos ver o inevitável, o que faz parte da nossa natureza? Será que precisamos redescobrir o valor da expressão “amor próprio”?
Parece que passamos tanto tempo buscando essa plenitude (ou alegria) do lado de fora que perdemos o caminho que leva para dentro e por vezes pairamos num tremendo vazio. Passamos tanto tempo tentando construir um eu ideal, capaz de ser agradável e aceito pelos outros, que esquecemos quem somos.
Reproduzimos comportamentos ancestrais porque sermos nós mesmos parece algo anormal. Vai entender! Parece mais fácil fingir, negar e tentar encaixar-se no padrão de eficiência e beleza que alguém, um dia, nos disse ser o ideal das pessoas bem sucedidas. Será mesmo mais fácil?
Há pessoas que se empenham tanto nesse papel e não percebem que o esforço por manter a máscara é imensamente mais desgastante que a dor de nos aceitar como somos. Sim, porque essa dor é passageira, mas a aparência... Essa precisará de manutenção sempre.
Esse mesmo “sujeito” citado acima fala de quatro caminhos para alcançar a consciência plena: adiamento da gratificação, aceitação da responsabilidade, dedicação a verdade ou realidade e equilíbrio. Mas, isso é assunto para outra ora...
Parei por alguns segundos para refletir sobre aquilo e logo minha mente, aflita por racionalizar as coisas, ponderou: Então se essa plenitude é dolorosa, por que buscá-la? A que fim leva esse caminho? Até onde devemos sofrer e evoluir? Não dá pra simplesmente ficar aqui, quietinhos no nosso cantinho, sem grandes pretensões?
E como quem estava de posse do efeito que suas palavras causariam nos leitores, linhas abaixo, o autor, um psiquiatra norte-americano, arrematava: “Se você faz essa pergunta talvez não saiba o bastante sobre a alegria”.
Então fiquei pensando sobre alegria e plenitude. O que significa cada uma dessas coisas?
Acho que não temos como qualificar. Afinal, cada vida traz uma experiência e agrega a si valores que são intransferíveis.
De certa forma, me identifico com as palavras do tal psiquiatra, quando pensamos que a plenitude está em nós mesmos, na consciência de quem somos e de nossas ações. Notem que não me referi a domínio, mas a consciência, sem máscaras e subterfúgios. Afinal, ter conhecimento sobre nossas ações e reações é fundamental para vivermos sem sermos engolidos.
Mas por que isso que parece tão simples causaria dor? Por que evitamos ver o inevitável, o que faz parte da nossa natureza? Será que precisamos redescobrir o valor da expressão “amor próprio”?
Parece que passamos tanto tempo buscando essa plenitude (ou alegria) do lado de fora que perdemos o caminho que leva para dentro e por vezes pairamos num tremendo vazio. Passamos tanto tempo tentando construir um eu ideal, capaz de ser agradável e aceito pelos outros, que esquecemos quem somos.
Reproduzimos comportamentos ancestrais porque sermos nós mesmos parece algo anormal. Vai entender! Parece mais fácil fingir, negar e tentar encaixar-se no padrão de eficiência e beleza que alguém, um dia, nos disse ser o ideal das pessoas bem sucedidas. Será mesmo mais fácil?
Há pessoas que se empenham tanto nesse papel e não percebem que o esforço por manter a máscara é imensamente mais desgastante que a dor de nos aceitar como somos. Sim, porque essa dor é passageira, mas a aparência... Essa precisará de manutenção sempre.
Esse mesmo “sujeito” citado acima fala de quatro caminhos para alcançar a consciência plena: adiamento da gratificação, aceitação da responsabilidade, dedicação a verdade ou realidade e equilíbrio. Mas, isso é assunto para outra ora...
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Revisões
Foi hoje, terça-feira de carnaval, durante um banho de mar matinal, que resolvi retomar o antigo e tão salutar hábito de compartilhar. Compartilhar emoções, reflexões e descobertas (boas e não tão boas).
Talvez alguns de vocês estejam se perguntando: o que aconteceu com a Fabi nesses últimos anos? Porque tanto “silêncio”? Ah! Meus amigos, nem eu mesma sei. As coisas foram esfriando e fui perdendo o traquejo.
Mas cá estou eu de novo, descobrindo novas formas de fazer antigas coisas. Redescobrindo caminhos. Calma lá... Não tomem isso por algo triste ou melancólico. Ora, quem nunca questionou seus hábitos, seus valores? Quem nunca parou para refletir sobre o sentido da própria existência antes de completar 40? Sobre o que é “certo” ou “errado”? Quem nunca jogou a sujeira embaixo do tapete ou utilizou máscaras para ficar mais “bonitinha”?
Você não?! Então você não é desse planeta ou, pode ainda não ter percebido, mas, está com sérios problemas. É verdade. Não estou rogando nenhuma praga. Mas acontece que se você nunca parou no tempo para pensar sobre isso, provavelmente não conhece a si mesmo. E qualquer dia desses poderá ser surpreendido por esse monstrinho que habita em você. E nem vem que não tem... Porque todos nós temos um. Domesticado ao não, temos. Ô se temos!
Pois é, o meu monstrinho já está tão domesticado que agora começou a passar a perda em mim. E eu, que achava o ter em minhas mãos, aqui estou, novamente, redescobrindo e tentando adestrá-lo.
O Dr. Scott Peck fala sobre a necessidade de fazermos uma revisão em nossos “mapas mentais”. Raul Seixas dizia que somos uma “metamorfose ambulante”. Seja lá o que for, basta olhar ao redor. Tudo muda o tempo todo na natureza. Então, como nós, integrantes desse todo, podemos achar que nossas verdades de convicções são absolutas?
Pois é, hoje, me dei conta de que será assim sempre... Revisando e metamorfoseando.
Talvez alguns de vocês estejam se perguntando: o que aconteceu com a Fabi nesses últimos anos? Porque tanto “silêncio”? Ah! Meus amigos, nem eu mesma sei. As coisas foram esfriando e fui perdendo o traquejo.
Mas cá estou eu de novo, descobrindo novas formas de fazer antigas coisas. Redescobrindo caminhos. Calma lá... Não tomem isso por algo triste ou melancólico. Ora, quem nunca questionou seus hábitos, seus valores? Quem nunca parou para refletir sobre o sentido da própria existência antes de completar 40? Sobre o que é “certo” ou “errado”? Quem nunca jogou a sujeira embaixo do tapete ou utilizou máscaras para ficar mais “bonitinha”?
Você não?! Então você não é desse planeta ou, pode ainda não ter percebido, mas, está com sérios problemas. É verdade. Não estou rogando nenhuma praga. Mas acontece que se você nunca parou no tempo para pensar sobre isso, provavelmente não conhece a si mesmo. E qualquer dia desses poderá ser surpreendido por esse monstrinho que habita em você. E nem vem que não tem... Porque todos nós temos um. Domesticado ao não, temos. Ô se temos!
Pois é, o meu monstrinho já está tão domesticado que agora começou a passar a perda em mim. E eu, que achava o ter em minhas mãos, aqui estou, novamente, redescobrindo e tentando adestrá-lo.
O Dr. Scott Peck fala sobre a necessidade de fazermos uma revisão em nossos “mapas mentais”. Raul Seixas dizia que somos uma “metamorfose ambulante”. Seja lá o que for, basta olhar ao redor. Tudo muda o tempo todo na natureza. Então, como nós, integrantes desse todo, podemos achar que nossas verdades de convicções são absolutas?
Pois é, hoje, me dei conta de que será assim sempre... Revisando e metamorfoseando.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Lá vem ele
“Para você ganhar um belíssimo Ano Novo... tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo”.
Então, meus amigos, por favor, sem choramingo pelo que não deu certo em 2007. Vem ai um ano novinho em folha para todo mundo, sem distinção de cor, idade, nacionalidade, sexo ou gosto musical. Serão mais 365 dias para refletir, corrigir, construir, inovar, acreditar, aprender, ensinar, dividir, doar, tolerar, falar, calar, desprender-se, libertar, rir, perdoar, amar, enfim... Começar (ou recomeçar). Mas não se enganem... Desses todos, também haverá dias de choro, sofrimento, indignação, irritação. Dias para de errar, cair, magoar, pedir desculpas... Como todo bom e teimoso humano.
A receita para acertar em 2008? É simples (e tão complexa)... não tenha medo! Não tenha medo de abandonar o “homem velho”, de olhar para si, de corrigir rumos, de desafiar-se, de mudar. Afinal, nada no universo é estático, então por quê a acomodação? Reveja seus valores, atitudes e pensamentos. E quando estiver em dúvida sobre o melhor caminho a seguir, ouça o seu coração... Não tenha medo de amar, de amar-se. Não tenha medo de acreditar em anjos.
Para todos nós... um 2008 repleto de mudanças. De fé, amor!
Ah! E antes de 2007 termine, vá à sua “despensa” e observe os “prazos de validade”. Lembre-se que “sentimento guardado azeda por dentro”.
Então, meus amigos, por favor, sem choramingo pelo que não deu certo em 2007. Vem ai um ano novinho em folha para todo mundo, sem distinção de cor, idade, nacionalidade, sexo ou gosto musical. Serão mais 365 dias para refletir, corrigir, construir, inovar, acreditar, aprender, ensinar, dividir, doar, tolerar, falar, calar, desprender-se, libertar, rir, perdoar, amar, enfim... Começar (ou recomeçar). Mas não se enganem... Desses todos, também haverá dias de choro, sofrimento, indignação, irritação. Dias para de errar, cair, magoar, pedir desculpas... Como todo bom e teimoso humano.
A receita para acertar em 2008? É simples (e tão complexa)... não tenha medo! Não tenha medo de abandonar o “homem velho”, de olhar para si, de corrigir rumos, de desafiar-se, de mudar. Afinal, nada no universo é estático, então por quê a acomodação? Reveja seus valores, atitudes e pensamentos. E quando estiver em dúvida sobre o melhor caminho a seguir, ouça o seu coração... Não tenha medo de amar, de amar-se. Não tenha medo de acreditar em anjos.
Para todos nós... um 2008 repleto de mudanças. De fé, amor!
Ah! E antes de 2007 termine, vá à sua “despensa” e observe os “prazos de validade”. Lembre-se que “sentimento guardado azeda por dentro”.
Receita de Ano Novo
Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
Cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com o tempo já vivido (mal vivido talvez ousem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, recomendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha...
Não precisa fazer lista de boas intenções, para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependimento
Pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
Que por decreto da esperança
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa,
Justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados,
começando pelo direito de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que
não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com o tempo já vivido (mal vivido talvez ousem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, recomendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha...
Não precisa fazer lista de boas intenções, para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependimento
Pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
Que por decreto da esperança
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa,
Justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados,
começando pelo direito de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que
não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 23 de dezembro de 2007
24h de que?
Quem já passou 24h em uma corrida de aventura – correndo, pedalando, remando, nadando – pode sobreviver tranquilamente a algumas horas de natação, certo?
Sim!!! Sobreviver, sim! Mas... Tranquilamente? Aí já é outra história.
Quando o Júnior perguntou se iria participar do Desafio 24h de Natação ele não sabia que estava usando uma palavra mágica para me convencer a encarar a competição : DESAFIO.
- Mas como é a prova?
- Simples. São 24 horas nadando. Vence a equipe que fizer a maior distância durante esse tempo. Serão oito equipes e cada uma pode ter até 30 pessoas. Você só precisa dizer em que horários pode nadar.
30 pessoas... 24 horas... Fácil! Só precisava escolher uma horinha (ou mais) que não chocasse com os outros compromissos que teria naquela sexta-feira. Seria só mais um dia de treino de natação, dessa vez em um lugar diferente. Seria... se fosse.
Ao chegar ao ginásio onde estava sendo realizada a competição fui logo percebendo que aquilo não era algo tão simples como eu havia pensado. A primeira imagem foi uma arquibancada lotada de atletas, familiares e curiosos. Metade dela colorida de vermelho e amarelo. Era a equipe do Corpo de Bombeiros, incluindo alguns companheiros das corridas de aventura – Tavares, Marcelinho e André.
A prova havia começado há pouco mais de uma hora e a nossa equipe (Iate) estava em terceiro lugar, a 450m da segunda colocada (Nadart). Em primeiro estavam os bombeiros, ou melhor, a tropa de elite aquática do CB... 600 metros a nossa frente.
Sem dúvida e nem falsa modéstia, tínhamos os melhores nadadores da competição. Mas o fato de não estarem todos ali, durante as 24h, fez uma grande diferença. Enquanto o CB tinha todos seus nadadores no ginásio, as demais equipes eram formadas por “atletas” que dividem o tempo dentre esporte, trabalho, casa, etc. Mais pessoas em um equipe, na prática, significava que os nadadores teriam mais tempo para descansar e assim poderiam render mais.
Com essa vantagem competitiva, o CB adotou a estratégia de fazer revezamento de 50m. Ou seja, se quiséssemos diminuir aqueles 600m de diferença teríamos de nadar um bocado. Só não imaginava que fosse tanto. Enquanto eles tinham 30, nossa equipe mantinha uma média de 4 a 5 pessoas/hora se revezando na piscina. Isso na teoria. Na prática, houve momentos de desfalque, o que acelerou o processo de desgaste dos nadadores. Porque uma coisa é você fazer uma hora de natação, outra bem diferente é você passar essa mesma uma hora usando 100% da sua força. E se for 1h30? Pois é... quando cai na piscina, às 10h30, estávamos em um desses momentos de desfalque. Preciso dizer mais alguma coisa?
Foi nessa hora que soou a sirene, anunciando que havia passado mais uma hora de competição. Junto veio um grito otimista... “Parabéns nadadores! Faltam APENAS 22h!!!" Apenas?
Nesse instante acabei descobrindo que água pode pesar tanto (ou mais) que um saco de cimento. Mesmo você estando em cima dela.
Mas o fato é que a possibilidade de nos aproximar dos bombeiros acirrava os ânimos e motivava todo mundo. Na segunda hora de prova, a diferença do Iate para a Nadart havia caído para 250m.
Enquanto isso, do lado de fora da piscina estava o Júnior, nosso treinador/professor, com celular ao ouvido recrutando reforço. Ele já havia percebido que a idéia inicial, de ter 4 nadadores a cada hora, não seria suficiente para fazer a equipe “deslizar”. Era preciso mais gente para que o nosso tempo de recuperação fosse maior.
Às 12h, quando os braços não respondiam a mente, tive de sair da água. O coração, que estava apertado em ter de deixar Alexandre, Núbia e Givaldo sozinhos na piscina, tranqüilizou-se ao ver Paulinho e Hélcio chegando para reforçar a equipe.
Mas o meu desafio não parava ali. Foi só o tempo de resolver algumas coisas “lá fora”, almoçar e voltar para a competição. Dessa vez, totalmente consciente (e preocupada) do que viria pela frente. Quantos estariam lá para nadar? Para meu alívio, ao chegar, dei de cara com a verdadeira “Tropa de Elite” da competição. A nossa Tropa de Elite. Já tínhamos nadado 31.850m e estávamos em segundo lugar, 1.200m a frente da Nadart. Também não éramos apenas quatro, mas 10. Até a Talita, que mora em Sampa e havia chegado há poucas horas em Maceió para passar o Natal com a família, estava lá para integrar a equipe, junto com a mãe e a sobrinha (três gerações de nadadoras).
Assim, Júnior dividiu os nadadores em duas equipes de 5 pessoas, que se revezavam a cada 30 minutos. Essa foi sem dúvida, a melhor estratégia.
Às 17h30 sai da piscina, novamente de coração apertado. O esgotamento já era visível e só haviam se passado 9 horas de competição. Como seria a noite e a madrugada?
Não consegui ficar em casa com essa pergunta na cabeça. Mesmo que apenas por alguns minutos, tinha de voltar para a piscina e ajudar a carregar aqueles “sacos de cimento”, o quanto fosse possível. Então, às 21h, voltei... levando comida e o que restava de força nos braços. A boa notícia é que tive um incentivo a mais... a presença do meu namorado (Júnior).
E quando cheguei... mais uma surpresa. Ao chegar, me deparei com um “mar” de gente, competindo e assistindo. Equipes elétricas e uma euforia geral, apesar de todo cansaço! O espírito de equipe estava presente e vi gente dispensando a tradicional farra de sexta-feira para estar na competição. Foram as horas de melhor rendimento, 4.950m/hora. E pra não deixar a peteca cair... água, repositor, barras de proteína, pizza, amendoim, etc, etc, etc.
Uma hora, foi o quanto os braços agüentaram. Além de não haver mais força, precisava tentar descansar, já que na manhã seguinte ainda tinha 60km de pedal e outros 12km de corrida.
Mas, em casa, embora o corpo cansado, a mente não conseguia desacelerar e o sono só chegou depois das 2h30 da manhã. Já sabia que o treino tinha ido por água a baixo, então pensei em dormir mais um pouco e ir para a piscina apenas na última hora da prova, quando toda equipe deveria estar reunida. Mas, esses planos também foram por água a baixo. Às 04h o telefone toca.
- Fabí?
- Oi Ju...
- Como você está?
- Um bagaço.
- Fabí. Estamos precisando de você.
- Ju... eu tô morta.
- A Núbia parou de vez. Não agüenta mais levantar o braço. O Raul está nas últimas. O Paulinho está nadando só para a equipe não parar. Se não vier reforço, vamos parar o revezamento.
- Parar?? Tá, tô chegando.
Não sabia como iria nadar e bateu outra preocupação... o que o Júnior (o namorado) vai pensar ? Que sou maluca? Acho que vou levar "cartão vermelho". Mas, fui mesmo assim, rezando para que ao voltar ainda tivesse o namorado.
Hélcio, que também havia sido recrutado, assumiu a piscina para aliviar os guerreiros da madruga. Raul, Paulinho e Bruno estavam apenas esperando alguém chegar para saírem da água. Às 4h30 cai na piscina e, ao contrário do que imaginava, o inimigo não era o cansaço, mas a água fria. E põe fria nisso.
Às 4h45 toca a sirene.
- Parabéns nadadores!!! Faltam só 4 horas”.
- ?? (silencio total)
Com o amanhecer o restante dos nadadores foi chegando e voltamos a ter duas equipes se revezando na água.
Às 7h45, quando mais uma parcial era anunciada, o grito de um dos bombeiros lembrou: falta só uma hora galera. Apenas 1 horinha? A partir dali, começamos uma contagem regressiva e o cansaço sumiu de vez, como um toque de mágica.
Embora não fosse mais possível alcançar a equipe do CB. Ter chegado até ali e estar em segundo lugar, já era motivo suficiente para comemorar. E parece que isso “nitrogenou” todo mundo.
Às 8h45, depois de 105.950 m de braçadas, finalmente chegamos na hora 24 daquela competição. A pergunta que rondava a mente durante a madrugada (porque eu me meti nisso?) deu lugar a satisfação de vencer mais um desafio. Semblantes cansados, dores nos braços, no abdômen, olheiras... tudo se tornou pequeno diante da sensação de superação, superação em equipe.
Queridos amigos, não tentem entender a “loucura”. Desafie-se... e saberá o que quero dizer. Parabéns... essa é a nossa Tropa de Elite.
Sim!!! Sobreviver, sim! Mas... Tranquilamente? Aí já é outra história.
Quando o Júnior perguntou se iria participar do Desafio 24h de Natação ele não sabia que estava usando uma palavra mágica para me convencer a encarar a competição : DESAFIO.
- Mas como é a prova?
- Simples. São 24 horas nadando. Vence a equipe que fizer a maior distância durante esse tempo. Serão oito equipes e cada uma pode ter até 30 pessoas. Você só precisa dizer em que horários pode nadar.
30 pessoas... 24 horas... Fácil! Só precisava escolher uma horinha (ou mais) que não chocasse com os outros compromissos que teria naquela sexta-feira. Seria só mais um dia de treino de natação, dessa vez em um lugar diferente. Seria... se fosse.
Ao chegar ao ginásio onde estava sendo realizada a competição fui logo percebendo que aquilo não era algo tão simples como eu havia pensado. A primeira imagem foi uma arquibancada lotada de atletas, familiares e curiosos. Metade dela colorida de vermelho e amarelo. Era a equipe do Corpo de Bombeiros, incluindo alguns companheiros das corridas de aventura – Tavares, Marcelinho e André.
A prova havia começado há pouco mais de uma hora e a nossa equipe (Iate) estava em terceiro lugar, a 450m da segunda colocada (Nadart). Em primeiro estavam os bombeiros, ou melhor, a tropa de elite aquática do CB... 600 metros a nossa frente.
Sem dúvida e nem falsa modéstia, tínhamos os melhores nadadores da competição. Mas o fato de não estarem todos ali, durante as 24h, fez uma grande diferença. Enquanto o CB tinha todos seus nadadores no ginásio, as demais equipes eram formadas por “atletas” que dividem o tempo dentre esporte, trabalho, casa, etc. Mais pessoas em um equipe, na prática, significava que os nadadores teriam mais tempo para descansar e assim poderiam render mais.
Com essa vantagem competitiva, o CB adotou a estratégia de fazer revezamento de 50m. Ou seja, se quiséssemos diminuir aqueles 600m de diferença teríamos de nadar um bocado. Só não imaginava que fosse tanto. Enquanto eles tinham 30, nossa equipe mantinha uma média de 4 a 5 pessoas/hora se revezando na piscina. Isso na teoria. Na prática, houve momentos de desfalque, o que acelerou o processo de desgaste dos nadadores. Porque uma coisa é você fazer uma hora de natação, outra bem diferente é você passar essa mesma uma hora usando 100% da sua força. E se for 1h30? Pois é... quando cai na piscina, às 10h30, estávamos em um desses momentos de desfalque. Preciso dizer mais alguma coisa?
Foi nessa hora que soou a sirene, anunciando que havia passado mais uma hora de competição. Junto veio um grito otimista... “Parabéns nadadores! Faltam APENAS 22h!!!" Apenas?
Nesse instante acabei descobrindo que água pode pesar tanto (ou mais) que um saco de cimento. Mesmo você estando em cima dela.
Mas o fato é que a possibilidade de nos aproximar dos bombeiros acirrava os ânimos e motivava todo mundo. Na segunda hora de prova, a diferença do Iate para a Nadart havia caído para 250m.
Enquanto isso, do lado de fora da piscina estava o Júnior, nosso treinador/professor, com celular ao ouvido recrutando reforço. Ele já havia percebido que a idéia inicial, de ter 4 nadadores a cada hora, não seria suficiente para fazer a equipe “deslizar”. Era preciso mais gente para que o nosso tempo de recuperação fosse maior.
Às 12h, quando os braços não respondiam a mente, tive de sair da água. O coração, que estava apertado em ter de deixar Alexandre, Núbia e Givaldo sozinhos na piscina, tranqüilizou-se ao ver Paulinho e Hélcio chegando para reforçar a equipe.
Mas o meu desafio não parava ali. Foi só o tempo de resolver algumas coisas “lá fora”, almoçar e voltar para a competição. Dessa vez, totalmente consciente (e preocupada) do que viria pela frente. Quantos estariam lá para nadar? Para meu alívio, ao chegar, dei de cara com a verdadeira “Tropa de Elite” da competição. A nossa Tropa de Elite. Já tínhamos nadado 31.850m e estávamos em segundo lugar, 1.200m a frente da Nadart. Também não éramos apenas quatro, mas 10. Até a Talita, que mora em Sampa e havia chegado há poucas horas em Maceió para passar o Natal com a família, estava lá para integrar a equipe, junto com a mãe e a sobrinha (três gerações de nadadoras).
Assim, Júnior dividiu os nadadores em duas equipes de 5 pessoas, que se revezavam a cada 30 minutos. Essa foi sem dúvida, a melhor estratégia.
Às 17h30 sai da piscina, novamente de coração apertado. O esgotamento já era visível e só haviam se passado 9 horas de competição. Como seria a noite e a madrugada?
Não consegui ficar em casa com essa pergunta na cabeça. Mesmo que apenas por alguns minutos, tinha de voltar para a piscina e ajudar a carregar aqueles “sacos de cimento”, o quanto fosse possível. Então, às 21h, voltei... levando comida e o que restava de força nos braços. A boa notícia é que tive um incentivo a mais... a presença do meu namorado (Júnior).
E quando cheguei... mais uma surpresa. Ao chegar, me deparei com um “mar” de gente, competindo e assistindo. Equipes elétricas e uma euforia geral, apesar de todo cansaço! O espírito de equipe estava presente e vi gente dispensando a tradicional farra de sexta-feira para estar na competição. Foram as horas de melhor rendimento, 4.950m/hora. E pra não deixar a peteca cair... água, repositor, barras de proteína, pizza, amendoim, etc, etc, etc.
Uma hora, foi o quanto os braços agüentaram. Além de não haver mais força, precisava tentar descansar, já que na manhã seguinte ainda tinha 60km de pedal e outros 12km de corrida.
Mas, em casa, embora o corpo cansado, a mente não conseguia desacelerar e o sono só chegou depois das 2h30 da manhã. Já sabia que o treino tinha ido por água a baixo, então pensei em dormir mais um pouco e ir para a piscina apenas na última hora da prova, quando toda equipe deveria estar reunida. Mas, esses planos também foram por água a baixo. Às 04h o telefone toca.
- Fabí?
- Oi Ju...
- Como você está?
- Um bagaço.
- Fabí. Estamos precisando de você.
- Ju... eu tô morta.
- A Núbia parou de vez. Não agüenta mais levantar o braço. O Raul está nas últimas. O Paulinho está nadando só para a equipe não parar. Se não vier reforço, vamos parar o revezamento.
- Parar?? Tá, tô chegando.
Não sabia como iria nadar e bateu outra preocupação... o que o Júnior (o namorado) vai pensar ? Que sou maluca? Acho que vou levar "cartão vermelho". Mas, fui mesmo assim, rezando para que ao voltar ainda tivesse o namorado.
Hélcio, que também havia sido recrutado, assumiu a piscina para aliviar os guerreiros da madruga. Raul, Paulinho e Bruno estavam apenas esperando alguém chegar para saírem da água. Às 4h30 cai na piscina e, ao contrário do que imaginava, o inimigo não era o cansaço, mas a água fria. E põe fria nisso.
Às 4h45 toca a sirene.
- Parabéns nadadores!!! Faltam só 4 horas”.
- ?? (silencio total)
Com o amanhecer o restante dos nadadores foi chegando e voltamos a ter duas equipes se revezando na água.
Às 7h45, quando mais uma parcial era anunciada, o grito de um dos bombeiros lembrou: falta só uma hora galera. Apenas 1 horinha? A partir dali, começamos uma contagem regressiva e o cansaço sumiu de vez, como um toque de mágica.
Embora não fosse mais possível alcançar a equipe do CB. Ter chegado até ali e estar em segundo lugar, já era motivo suficiente para comemorar. E parece que isso “nitrogenou” todo mundo.
Às 8h45, depois de 105.950 m de braçadas, finalmente chegamos na hora 24 daquela competição. A pergunta que rondava a mente durante a madrugada (porque eu me meti nisso?) deu lugar a satisfação de vencer mais um desafio. Semblantes cansados, dores nos braços, no abdômen, olheiras... tudo se tornou pequeno diante da sensação de superação, superação em equipe.
Queridos amigos, não tentem entender a “loucura”. Desafie-se... e saberá o que quero dizer. Parabéns... essa é a nossa Tropa de Elite.
Assinar:
Postagens (Atom)
