sábado, 26 de maio de 2007

Planeje, execute, mas... encerre!

Os finais de semana de clausura em sala de aula têm ensinado muito mais que gestão de projetos empresariais. Alguém ai já parou pra pensar o quanto há de planejamento e estratégia no dia-a-dia? Um exemplo clássico é o namoro. Vejamos...

Insatisfeita, você está prestes a terminar um relacionamento de loooonga data, praticamente um projeto de vida – a dois. Analisa os prós e contras para ter certeza de que está tomando a decisão certa, afinal, foram meses, anos de investimento.

O ‘projeto’ tinha como objetivo ficar ao lado do ‘criaturo’ por bons anos, tendo como ‘premissas’: filhos, um apartamento bacana ou uma casa ecologicamente correta, com cachorro, muito verde e há uma distância saudável de sogra e demais agregados. Casamento não era necessariamente uma ‘premissa’, nos tempos onde quase tudo está do avesso, se adequava melhor no campo das ‘restrições’ ou, porque não, dos ‘riscos’.

Embora o ‘planejamento’ tenha sido feito atropeladamente, em virtude do fator ‘paixão’, as ações caminhavam para o alcance do objetivo final do ‘projeto’. Algumas delas adiantadas em relação ao tempo, como ter uma escova de dente dele no seu banheiro ou camisas no guarda-roupa, outras um tanto atrasadas, como conciliar os horários de sono, e outras... Xiiii... Totalmente paradas, como discutir o relacionamento (Atenção! Esse é um dos principais fatores de risco para projetos dessa natureza).

Mas, apesar de alguns perrengues, inerentes a todo e qualquer projeto, tudo caminhava bem, até... Você perceber que as ações começavam a fugir do ‘escopo’ original. Com o tempo surgiam ‘restrições’, que não haviam sido identificadas, ameaçando o alcance das ‘metas’.

Alguns ‘produtos’ já davam sinais de escassez, como a paciência, ao ver a zona que ele fazia pela casa; a disposição, para fazer o café da manhã todo santo dia; o bom humor, para rir das tiradas sem graça que ele soltava, insistentemente, enquanto você tentava um diálogo sério. Outros ‘agentes’ surgiam influenciando o ‘ambiente organizacional’, como o tédio, quando você estava com seus hormônios em plena produção e ele no ápice do sono; a frustração, quando ele não elogiava ou se quer mencionava seu modelito ou perfume novo; ou mesmo a fúria, ao perceber que não estava sendo ouvida sobre algo que você considerava importante.

O que fazer? Tenta ‘realinhar’ as diretrizes com os ‘steakholder’? Não seria isso apenas falta de ‘assistência técnica especializada’? Mas nesse caso, bastaria então deixar clara sua insatisfação com o serviço e acordar os critérios de qualidade, ao menos que o problema fosse realmente, falta de qualificação profissional.

O que acaba prejudicando boa parte dos ‘projetos’ é, juntamente, falhas na análise dos ‘indicadores’. Por inexperiência ou distração muitos se esquecem de fatores como, o ambiente, o mercado e os desejos do seu cliente.

A bronca toda começa no ambiente externo. Alguns ‘steakholder’ - os hormônios - são culpados pela duração de apenas dois anos de uma paixão, e poucas pessoas levam isso em conta na hora do ‘planejamento’.

Não é balela... Uma equipe de cientistas da universidade de Pisa (Itália) estudou o comportamento dos hormônios em uma relação amorosa e comprovou que o desejo desaparece após dois anos de relacionamento. Enquanto no início da relação é abundante um elemento químico chamado neurotrofina, que provoca o desejo, com o passar do tempo a quantidade dessa substância diminui, e ela é substituída por um hormônio denominado oxitocina, que consolida os sentimentos mais duráveis de amor e de compromisso.

Mas até o sujeito perceber isso, já despachou seu ‘cliente’ por achar que ele não estava mais adequado ao projeto. Outro erro comum! A satisfação do ‘cliente’ deve ser o foco do projeto, sem ‘cliente’ não há projeto.

Caaaalma! Isso não tem nada a ver com falta de amor próprio. Mas acontece que projetos dessa natureza têm uma peculiaridade: cliente e fornecedor se misturam em uma troca de papéis constante. Por isso, não adianta olhar apenas para o próprio umbigo. Influenciado pelo ambiente, mercado e tantas outras variáveis, o comportamento e desejos do ‘cliente’ mudam, assim como os seus também, lembre-se sempre disso!

Desta forma, ou você entra com um ‘plano de contingência’ para controlar as ‘mudanças’ e minimizar os ‘riscos’ ou, minha filha, finaliza logo e passa pra outro! Só não vale continuar investindo quando o ‘escopo’ está totalmente comprometido.

Aí é que a porca torce o rabo. É preciso analisar: 1) Recursos – quanto você já investiu e se vale a pena continuar investindo, 2) Tempo – veja se os ‘steakholder’ dispõe de mais tempo para fazer a redefinição de escopo e operacionalizar as mudanças, 3) Metas – os novos investimentos e o realinhamento irão levá-la ao objetivo do projeto ou esse é mesmo um caso perdido?

Em muitos casos encerrar o ‘projeto’ é mesmo a melhor opção. Com o tempo, as mudanças de ambiente e mercado lhe mostram que a decisão não poderia ter sido mais acertada. Em outros... Você percebe que foi precipitada e não soube ‘gerenciar a crise’. A conseqüência disso é uma dor de cotovelo tremenda, noites de insônia e uma sensação incrível de estupidez, ao menos que você tenha um botãozinho ‘liga/desliga’ para paixonite.

Mas em qualquer caso, cuidado! Porque muitas vezes o ‘projeto’ termina, mas você esquece-se de encerrá-lo. É... Dar baixa, colocar na pasta de ‘concluídos’ e deixar isso bem claro para todos os ‘steakholder’. Como fazer? Despache o que estava nas gavetas e pequenos objetos espalhados pela casa, coloque as fotos e e-mails na pasta de ‘arquivos mortos e enterrados’ ou simplesmente os delete. Isso só pra começar. Cada projeto requer um processo.

Essa fase é importantíssima, porque como tudo que não é finalizado toma tempo, você acaba sem conseguir gerir os novos projetos com a qualidade necessária.

Mas, como o ‘steakholder’ coração é um sujeito muito dissimulado, que insiste em passar a perna na companheira razão, é bom estar atenta a alguns detalhes: se você ouve certa música e ainda bate melancolia, se está prestes a sair com um homem maravilhoso e o ‘finado’ surge na lembrança, se você anda pela rua e imagina que a qualquer hora poderá encontrá-lo ou ainda, se o telefone toca e você pensa logo nele... Tome sérias providências!

Se todas essas situações acontecem e o ‘finado’, continua enterrado... Seu ‘projeto’ foi realmente finalizado. Não adianta, só chega ao fim quando acaba.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

A exceção da regra

Que as mulheres se apaixonam rapidamente e que os homens têm uma facilidade maior ainda de se ‘desapaixonar’, isso não é novidade. Afinal, são características milenarmente conhecidas e amplamente massificadas como heranças genéticas imutáveis. Bobagem!

Novidade mesmo foi conhecer uma mulher que reúne esses dois ‘genes’; que na medida em que se apaixona, desapaixona também. Sem complicações e, o melhor de tudo, indolor. Senhoras e senhores, é um caso digno de estudo.

Meninas morram de inveja... Ela não derrama lágrimas, não se descabela, não afoga as mágoas em caixas de chocolate ou litros de sorvete. Simplesmente vira a página. É como se houvesse um botãozinho ‘liga/desliga’ na área cerebral que cuida dos assuntos relacionados à ‘paixonite’. Basta um piscar de olhos e... Pronto! Tudo fica resolvido! Casa limpa, pronta para o novo hóspede!

Quem não a conhece pode precipitar o julgamento e dizer que a ‘galega’, na sua condição de loira, tem o coração gélido, criado pra fazer estragos. Mas quem disse?!...Acho que é mesmo o tal do botãozinho (será que vem de fábrica?). Porque ignorando todas as regras da prudência e das complicações femininas ela mergulha de cara, como quem está saboreando o último pedaço de um bolo de chocolate. E quando esse bolo acaba... Pode até espernear, mas, no final das contas, que importa? Ao menos ela provou!

Essa mulher existe? Bem, não dizem por aí que pra cada regra há uma exceção? Então, se ela não é doida, é o caso 0,00000000001 de 1 zilhão.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Maluco eu?

Difícil saber quem era o maluco da história naquela manhã chuvosa de quarta-feira.
Seria o treinador, que saiu de casa, às 5h da manhã, de moto, sob chuva, para estar no clube?
Ou seriam seus alunos que, contrariando a maioria dos mortais, trocaram a cama pela piscina?
Não é que a cama não estivesse aconchegante ou faltasse boa companhia. Mas o caso é mesmo complicado... vício digno de estudo.
Mas... para nosso consolo, fora da piscina - na praia - outros sobreviventes arriscavam uma corrida, sem se importar com o pé d’água que caia.
Opa! Então malucos seriam os que corriam na chuva ou os que nadavam na piscina? Afinal, já que é pra se molhar... que seja por inteiro.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Um casório pra fechar o ano bem

Entre as coisas que emocionam uma mulher, poucas eram tão indiferentes a mim quanto ao casamento. Eram!

O dia 29 de dezembro de 2006 entrou para a lista das datas mais emocionantes dessas quase três décadas. Foi o casamento dos meus mais que amigos, irmãos, Lúcia e Marcelo.

Lembro como se fosse ontem...
Era uma noite qualquer da semana e liguei pra Lúcia, que há um bom tempo estava sem namorado, convidando-a para sairmos. Queria que ela conhecesse o David e Marcelo, dois amigos de aventura.

Na verdade, queria que Lúcia conhecesse Marcelo. Já tinha tentado apresentar outros amigos a ela, mas tudo sem muito sucesso... Apenas boas, muitas, risadas.
No encontro, Marcelo já chegou atrasado (nada muito bom para a primeira impressão). Na verdade, estava um tanto descrente da possibilidade de aproximá-los. Sabia que eram muito diferentes.

Lú... Arquiteta que admiro pela inteligência, sensibilidade e sua imensa capacidade de se adequar a situações adversas, era difícil de agradar. Marcelo, ainda na faculdade de Biologia, estava na fase “carpe diem”. Tratava-se de um amigo que admirava pela sua habilidade “safa”, pela sua característica protetora, sua personalidade decidida e autêntica. Um animado companheiro de aventura. Mas, o conhecia suficientemente para saber do seu gênio nada fácil de administrar.
Ainda assim, era só uma tentativa.

O fato é que aquela tal noite não produziu muitos efeitos nem em um nem em outro. Então, dar uma forcinha para aproximação deles foi algo tentador e inevitável.
Confabulando com outra amiga – Gisele - perguntei o que ela acharia se eu desse o telefone da Lúcia para Marcelo.
- Ela vai te odiar. Mas pode dar. Eu não conto nada.
- Combinado.

No dia seguinte, lembro que estava sentada na redação da TV aguardando um telefone para concluir a produção de pauta quando liguei para Marcelo.
Tentei sondar o que ele havia achado de Lúcia. Os comentários foram monossilábicos, mas ficou animado quando disse que minha amiga havia falado bem sobre ele.
- Porque você não liga pra ela?
- Ligar? Mas ela nem me deu seu telefone.
- Mas eu tenho. Liga. Convida pra ir ao cinema, fazer qualquer coisa. Ela adora cinema.
- Mas será que ela vai gostar?
- Com certeza! (foi uma mentirinha de boa fé)

Claro que ele não seria bobo em perder a oportunidade e achando que estava com a faca e o queijo nas mãos... Ligou. É claro que a Lúcia dispensou o rapaz. Mas, Marcelo não desistiu tão fácil. Era genioso... (para felicidade de todos)

Do outro lado, eu e Gisele tentávamos dar uma forcinha ao ‘acaso’.
- Vai Lú... É só um cinema. Nada de mais. Aceita o convite do cara.

Finalmente... Um dia, no trabalho, encontro Lúcia e ela já vai abrindo aquele sorrisão característico e com seus trejeitos paraenses foi me perguntando...
- Éeeeegua... O que foi que você me arrumou hein?

Não me lembro ao certo, mas devia ser meados de 2001.
Nesses anos todos acompanhei a evolução dessa história... Com cenas boas e outras nem tanto. Muito aprendizado. Com eles aprendi que relacionamento exige concessão... Sem anulação. Descobri que as brigas e desentendimentos fazem parte, mas que não podem chegar ao extremo e que devemos calar antes que isso aconteça. Aprendi que é preciso respirar fundo e refletir antes de tomar qualquer atitude precipitada (minha especialidade) e me ensinaram também a respeitar as diferenças.

Hoje, me orgulho desses irmãos. Vi meu amigo amadurecer como homem, profissional, amigo e companheiro. Vi minha amiga ceder, aprender, ensinar e dividir planos. Nada de perfeição. São um casal como qualquer outro, com suas inúmeras diferenças. Mas certos do que sentem um pelo outro e certos de que para preservar esse amor são necessários alguns sacrifícios pessoais, que envolvem vaidade, orgulho e egoísmo.

Esse dia 29 de dezembro foi a oficialização de algo que há muito já estava selado em seus corações. Ali não havia apenas um protocolo, mas uma demonstração de imenso respeito. Afinal, desde que conheço Marcelo sabia que casamento (oficializado) não estava em seus planos e eles já moravam juntos há bom tempo. Mas para minha amiga também não foi lá muito fácil esperar o tempo certo de Marcelo.

Minha felicidade e emoção foi em vê-los assumindo para todo mundo o desejo e a vontade de construírem uma vida juntos, registrando essa intenção para a sociedade.
Não acredito que por ser legal haverá grandes mudanças na história que já construíram. Mas o fato é que agora, nas correspondências, ela será a Sra. Lúcia e ele o Sr. Marcelo.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Nossa própria prisão

Às vezes nem precisamos de muitos conselhos pra sair da maré de baixo astral. Mas, egoístas que somos, insistimos em fechar os olhos para o que acontece a nossa volta e, como seres limitados, nos mantemos na prisão de nós mesmos. Assim, dondocas curam suas dores afogando-se em caixas de chocolates e rapazes tentam sufocar suas frustrações num copo de qualquer coisa. Em alguns casos cura-se a dor com um corte novo de cabelo, um estrago no cartão de crédito, um brinquedinho tecnológico... Enfim, qualquer coisa que não se sinta.

Hoje, a protagonista dessa síndrome egoísta fui eu mesma. No meu carro, a caminho do trabalho, sentia-me triste por razões pequenas, tão vergonhosamente pequenas. Era tamanho o oco no coração que nem me aborreci com a seqüência de sinais vermelhos naquele trecho de apenas dois quilômetros.
Até que em um desses sinais, minha concentração egoísta foi quebrada por uma mãe que atravessa a rua, segurando a mão do seu filho.

A fração de minutos daquela cena foi suficiente para ‘acordar’ do transe. O garotinho, com menos de 10 anos, acometido por algum tipo de deficiência, tinha dificuldades para descer o meio fio e caminhar por entre os carros. Suas perninhas tortas tropeçavam uma na outra e seu equilíbrio era mantido pela mão firme de sua mãe.

O semblante daquela criança demonstrava um desentendimento pelas coisas ao redor e uma doce ingenuidade. Que provações e que constrangimentos não passaria aquela mãe? Quantos deveriam ser os problemas daquela mulher para suprir aquele garotinho de todo o carinho e necessidades?

Confortável em meu carro, com as contas em dia, trabalho ‘estável’, uma boa e aconchegante morada, inteligência e demais capacidades no lugar... Envergonhei-me por aquela tola tristeza.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Eu x Eu

Entre as maravilhas e dissabores proporcionados pelos 30 (mais maravilhas que dissabores) acabo de descobrir que estou em guerra. Uma guerra de poderes: direita x esquerda.

Não, não é o caso de estar sendo cotada a líder de um dos nossos ‘digníssimos’ partidos. A dissidência foi instalada em uma máquina muito mais ética, organizada e eficiente, porém, não menos traiçoeira e surpreendente: o cérebro.

Como mera expectadora, tenho assistido a guerra de dois senhores: o hemisfério esquerdo, lógico e analítico, e hemisfério direito, intuitivo e sentimental.

Sabe aquelas tardes em que você está ‘giboiando’ no sofá da sala, assistindo Vale a Pena Ver de Novo, e de repente seu vizinho de andar resolve ouvir música e acha que todo prédio compartilha do deu ‘desgosto’ musical? Então imaginem a cena. Pois é, esses dois senhores que me habitam, por vezes insistem em perturbar minha tranqüilidade com suas divagações filosóficas.

Na verdade não passam mesmo de dois caras muito autoritários, sempre invadindo o espaço alheio a fim de dominar. Porque como muitos já sabem, é o Esquerdo quem comanda o lado direito do corpo e o Direito dá as ordem ao esquerdo. Já viram, né? A confusão já começa daí. E no meio dessa balburdia estou eu, acreditando que decido alguma coisa. Quanta ilusão.

O problema é que ultimamente a discórdia entre esses senhores tem se agravado e enquanto ficam em suas argumentações sem fim, pra saber quem tem a razão, passo minhas noites em claro. Como os vizinhos barulhentos.

O consenso entre eles tem sido cada vez mais difícil. É que o Sr. Esquerdo sempre interpreta literalmente as frases e o Sr. Direito fica buscando a intenção oculta de quem fala. Já implorei um acordo, ameacei tomar um daqueles clamantes naturebas, mas esses dois são tinhosos. Não sossegam.
Enquanto um me estimula a procurar situações seguras, o outro me apresenta um lado mais delicioso da vida em suas abstrações de tempo e sua mania de arriscar, esse é o Direito (que na verdade mais parece torto).

Dona Inconsciência andou me dizendo que o Esquerdo costuma imitar, representar, fingir, enquanto o outro é autêntico. Mas ainda não descobri esse lado oculto.

Não fosse o excesso de racionalidade e crítica do Sr. Esquerdo, eu até que daria mais atenção a ele. Mas essa sua mania de inibir minha criatividade, inventividade e sonhos, me deixam muito ‘P’. É controlador demais, sempre certinho... Mas, também não posso negar que sua segurança já me livrou de muitas encrencas.

Já o Direito, faz com eu solte a imaginação, viaja pelas asas do sonho, crie, invente, recrie e assuma minha liberdade. Mas enquanto me dá asas, também me faz cair em algumas cilada.

É difícil decidir quem está certo. E enquanto não entram em acordo, fico aqui feito barata tonta, sem saber se mando tudo pra PQP, se assumo um egoísmo protetor, se adoto a postura Madre Tereza de Calcutá, Joana D´Arc ou Madonna.

domingo, 26 de novembro de 2006

A 'burra' novamente... e melhor

Foi no dia 03 de janeiro de 2005 que me deparei com ela pela primeira vez. Ontem, quase dois anos depois, eis que surge novamente me trazendo novos desafios – a ‘ladeira da burra’. Alguém ai se lembra dela? Neste fim de semana ela voltou a ser protagonista de uma das nossas aventuras.

Era pra ser um sábado diferente. Havíamos marcamos um pedal em grupo, na verdade um desafio de quatro horas. Há muito tempo todos me falavam de um local em Maceió perfeito para um bom pedal de estrada. Difícil imaginar isso numa cidade ontem os ciclistas enfrentam dois riscos constantes: buracos no asfalto e motoristas malucos.

Depois de passar a semana toda pensando... “Vou ou não vou”? “Será que agüento”? Acabei sendo convencida pela idéia de estar entre amigos, num lugar novo. Resumindo: atraída por mais um desafio. Um desafio pessoal, deixando bem claro.

A brincadeira estava marcada para começar às 5h da manhã. Quem eram os malucos que acordariam às 4h da matina? Eu, Helsio, Serginho, Josemar, Tavares, Teo, Henrique e Itamar. É verdade! Enquanto algumas pessoas iriam dormir, depois de uma noite de farra, estávamos nos levantando para pedalar. Cada doido com sua mania, já dizia vovó.

Aliás, isso me fez descobrir que não sou a única maluca no prédio onde moro. Às 4h30, enquanto arrumava minha bicicleta no carro do amigo Doutor, flagrei um dos meus vizinhos saindo de casa com uma vara de pescar e isopor nas mãos. Sorri e respirei aliviada pensando que ao menos não ficaria só em caso de internação.

Como combinado, às 5h estávamos Benedito Bentes – carinhosamente chamado de Bio - um dos bairros mais populosos da capital. Ainda não conseguia imaginar onde poderia haver, por ali, o tal lugar espetacular para se pedalar. O local cospe gente pelas janelas das casas e é um vai e vem constante de ônibus.

Deixamos os carros em frente a uma igreja (talvez numa tentativa inconsciente de sermos abençoados naquela manhã) e a princípio aquela ruazinha na quebrada, que dava início ao pedal, não prometia nada demais. Mas, fui em frente com a curiosidade de saber o que descortinaria a minha frente.

A única coisa que sabia é que no circuito havia algumas ladeiras. ‘Tudo bem’, pensei comigo, nada demais para quem passou os últimos seis meses pedalando no cerrado.

As pedaladas começaram discretas, os minutos foram se passando e tal ruazinha - estreita, sem acostamento, margeada por cana-de-açúcar - foi se adentro por um extenso vale e as tais ladeiras foram aparecendo.

A primeira bastante discreta, a segunda na forma de uma descida sem fim aonde as bicicletas chegavam a, pelo menos, 60km/hora (isso para mim, que segurava firme os freios). Olhei para Helsio é perguntei: “Mas o que é isso?” “Isso é o que você vai ter de subir na volta”, respondeu o Doutor.

Entre o silêncio e o espanto, continuava na expectativa de saber o que viria pela frente, aonde e quando aquilo acabaria. Quantas ladeiras ainda teriam? Minha preocupação era manter um ritmo que me permitisse encarar aquelas quatro horas de sobe e desce sem riscos de quebrar no meio do caminho.

Alguns minutos depois, eis que surge ela ... A ‘ladeira da burra’. Pra quem não lembra a história, vale acessar os arquivos de 2005 e descobrir o porquê do apelido. (http://fanjo.blogspot.com/2005/01/porque-burra-empacou.html)

Enorme, imponente... nos deparamos com ‘a burra’ na contra-mão do desafio: uma descida que não acabava nunca. Aos poucos fui me lembrando então de aquilo tudo não era desconhecido. O cenário na verdade era o mesmo de anos atrás, mas dessa vez a percepção do desafio era bem diferente.

A primeira volta pelo circuito foi mais uma espécie de reconhecimento do território. Necessária para se ter uma idéia exata do desafio e calcular os limites para que a aventura não se tornasse um sacrifício. E não foi!

Aos poucos, fui reparando que aquele era mesmo um pedaço do paraíso para os apaixonados pela magrela. A tal ‘ruazinha’ singela e sem graça era apenas a porta de entrada para um trecho de estrada, com asfalto lisinho, que corta uma montanha russa de subidas e descidas cravadas no meio de um pedaçinho de mata.

Se aquelas intermináveis subidas eram um teste para a resistência cardíaca de cada um de nós, as descidas sem dúvida eram presentes dos céus. O fato é que o tempo passou sem que ninguém percebesse as tão desafiadoras quatro horas, com direito a cantoria, piada, boas histórias e, porque não, um pouco de meditação.

Assim, a manhã de sábado terminou bem e o fim de semana começou melhor ainda.